Santuário preserva história e atrai peregrinos

São José de Anchieta morreu aos 63 anos, na Vila de Reritiba, fundada por ele no litoral sul do Espírito Santo, a 80km de Vitória. Hoje a vila tornou-se cidade, rebatizada com o nome do santo, e a igreja de Nossa Senhora da Assunção, construída por ele com os índios, passou a integrar o Santuário Nacional de São José de Anchieta, um conjunto arquitetônico do período colonial do Brasil que reúne também a praça da Matriz e o Museu Padre Anchieta.

Marco Antônio Soledade é guia do Santuário Nacional de São José de Anchieta. Abaixo, reproduzimos um resumo das explicações dele aos visitantes:

A Igreja Matriz Nossa Senhora da Assunção foi construída entre os séculos XVI e XVII (iniciada em 1569 e concluída em 1612) na chegada do padre Anchieta com os indígenas da região. Os índios construíram a igreja e a cela (quarto do padre Anchieta) onde ele morreu. A outra área que faz parte do museu, o cemitério, o campanário e a sacristia (parte detrás da igreja) foram construídos a partir do século XVIII, após a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal, em 1759.

Entre 1994 e 1997, a Igreja passou por uma reforma, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, o Iphan. Quando o altar de madeira (painel da lateral) foi removido, foram encontradas pinturas na parede, semelhante aos típicos azulejos portugueses. Naquele período, os azulejos eram caros, e os jesuítas não tinham recursos, então eram pintados, como se fossem azulejos. Na Igreja, há um retábulo do século XVII e outros dois menores do século XVIII. Ainda durante a reforma nas laterais, foram retirados 30 esqueletos de padres enterrados ali. Os ossos foram levados para o pátio do museu, área que já foi um cemitério de índios, escravos e civis.

Na nave, há imagens de Santo Inácio de Loyola e de São Francisco Xavier (fundadores da Companhia de Jesus), da qual Anchieta também fazia parte. Há também a imagem de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira dos Missionários. Em outro altar estão Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora Auxiliadora e São Benedito. A imagem central é de Nossa Senhora da Assunção. Padre Anchieta era devoto de Nossa Senhora e queria um local especial para ela, por isso a imagem está no centro da igreja. A imagem atual é uma réplica esculpida em madeira e tem um metro e quarenta e cinco. A original, trazida de Portugal, era feita de pedra, só tinha trinta centímetros e não se sabe o que aconteceu com ela, se retornou para Portugal ou se perdeu. Ainda na nave está um “túmulo” simbólico dos esqueletos retirados de dentro da igreja como homenagem aos padres sepultados ali. Na lateral esquerda, estão a capela do Santíssimo e o quarto onde o padre Anchieta morreu.

A arquitetura da Igreja segue o padrão da época em que foi construída. Naquele período usava-se óleo de baleia em lugar do cimento, então as paredes eram feitas de pedra, argamassa de concha, ostra e óleo de baleia. Duas peças de madeira do lado da janela, chamadas de conversadeira, são originais da construção. A trave superior também é original, só não é a janela. As peças foram feitas em peroba rosa, uma madeira resistente aos cupins e de grande durabilidade.

No pequeno quarto que há na Igreja, Anchieta passou os últimos dez anos de sua vida. Ele morreu aos 63 anos, tuberculoso e com um sério problema de coluna. Conta-se que o corpo do padre foi levado do quarto amarrado numa rede por aproximadamente 3500 índios, até ser sepultado no antigo colégio de Santiago, hoje Palácio Anchieta, onde fica a sede do governo do Espírito Santo, em Vitória. O corpo do padre Anchieta foi levado para Vitória e sepultado lá porque na época de sua morte, a igreja ainda não havia sido concluída. Ela só ficou pronta cerca de 15 anos depois.

Doze anos após a morte do padre, foi retirado um osso da perna dele e partido em quatro pedaços. Dois ficaram no Brasil. Um está no quarto em que o santo morreu, o outro foi levado pro Colégio de Piratininga, em São Paulo, onde ele fundou a cidade. Os outros dois pedaços foram para a Espanha, em Tenerife, onde ele nasceu, e o outro para a Companhia de Jesus, em Portugal, da qual ele era membro.

Padre Anchieta falava quatro idiomas: espanhol, português, latim e, convivendo com os índios, ele aprendeu a língua tupi. Com essa língua ele catequizou alguns os índios. Mais tarde, ele elaborou a gramática tupi, a língua mais usada na costa do Brasil. Há relatos de que Anchieta tinha o poder de domesticar os animais selvagens, que ficavam mansos perto dele.

Serviço:

Horário de Visitação na Igreja: Diariamente, das 7h30m às 19h30.
Horário de Visitação no Museu: Diariamente, das 8h às 17h.
Guia do Santuário: Marco Antônio de Soledade – marcosoledade2@gmail.com
Mais informações: www.santuariodeanchieta.com

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