Um passeio pela Arte e pela História dos Jesuítas no Rio de Janeiro

Em março, o Rio de Janeiro completou 450 anos de fundação, e não faltam na cidade lugares que guardam detalhes importantes dessa história. Por isso, o Centro Loyola de Fé e Cultura PUC-Rio organizou, na manhã do dia 21, um curso-tour sobre a arte e a arquitetura jesuítica no Rio de Janeiro, com a professora Anna Maria Monteiro de Carvalho, Doutora em História da Arte pela Universidade de Coimbra.

O curso começou na sede do Centro Loyola, onde a professora deu uma aula sobre a ação missionária dos jesuítas na cidade e explicou um pouco sobre os locais e as obras de arte que seriam visitados em seguida.

– Desde que chegaram à colônia, em março de 1549, com a comitiva de Tomé de Souza, no processo de centralização do país num Governo Geral e fundação de cidades, esses religiosos foram abrindo estabelecimentos de ensino, junto às Igrejas, residências, propriedades rurais e aldeamentos – explicou Anna Maria durante a aula.

Ela destacou ainda como no Rio de Janeiro três morros formavam uma espécie de triângulo da dominação religiosa: o Morro do Castelo, com os jesuítas; o Morro de São Bento, com os beneditinos; e o Morro de Santo Antônio, com os franciscanos. Diante do desenvolvimento da cidade no século XVIII e da monumentalidade religiosa que se fazia presente após a construção dos conventos de São Bento e Santo Antônio, os jesuítas decidiram construir no morro do Castelo, onde já havia o colégio e Igreja de Santo Inácio, uma Igreja monumental, cuja pedra fundamental foi lançada em 1744. No entanto a obra jamais foi concluída, porque em 1759 os jesuítas foram expulsos da colônia. Três grandiosas esculturas em madeira que iriam compor as obras de arte da nova Igreja estão hoje no saguão de entrada do Colégio Santo Inácio, em Botafogo, e foram visitadas pelos alunos do curso. Elas trazem a representação do Cristo pregado na cruz com Nossa Senhora e São João Evangelista a seus pés.

Outro ponto visitado durante o tour foi a Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso, junto ao que restou da Ladeira da Misericórdia, no Centro do Rio. A pequena igrejinha guarda dois retábulos maneiristas, que fizeram parte da antiga Igreja de Santo Inácio, demolida junto com o morro do Castelo. Segundo a professora Anna Maria, muito da história da cidade se perdeu com a demolição em 1922: “Destruímos a história dos nossos começos. Considero um crime contra o nosso patrimônio e tudo aquilo que representou o início do Rio de Janeiro”, desabafou.

O grupo visitou ainda o hospital Frei Antônio, em São Cristóvão. O lugar foi sede de uma das fazendas dos jesuítas na colônia e tornou-se um leprosário quando os religiosos foram expulsos da cidade. Parte do prédio foi descaracterizada com o passar do tempo, mas ainda é possível encontrar traços da ocupação dos jesuítas na capela do segundo andar e na fachada voltada para um pequeno cais onde o mar chegava antes dos aterros que foram feitos na região. Segundo Waldemar Moreira, Administrador do Complexo do Hospital Frei Antônio, muitos leprosos montavam tendas na praia de São Cristóvão, próxima à fazenda dos jesuítas com a intenção de isolar-se e acabavam sendo acolhidos pelos religiosos. Assim, o lugar recebeu muitos doentes antes mesmo de tornar-se um hospital.

Ao final do passeio, padre Fernandes, Diretor do Centro Loyola, convidou os participantes para o próximo curso-tour a ser organizado pelo Centro Loyola no segundo semestre e que terá como tema as históricas igrejas franciscanas no Rio de Janeiro.

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