Relíquias e História na Capela Dedicada a Anchieta

Com apenas dois anos de canonização, São José de Anchieta ainda não tem uma Igreja com seu nome na Arquidiocese do Rio de Janeiro, mas existem hoje cinco capelas dedicadas ao santo, entre elas a capela na sede do Centro Loyola.

Chamada de Capela Santo Inácio até meados de 2008, ela só recebeu o nome do Beato Anchieta quando o padre José Maria Fernandes, SJ, assumiu a direção da casa. Ele havia sido reitor do Pateo do Colégio e lá, além do contato com a história de Anchieta, acompanhou a restauração de duas relíquias do santo: o fêmur e o manto.

– Durante a restauração das peças, recolhi pequenos fragmentos que trouxe comigo para o Rio de Janeiro. Trouxe também o fac-símile da certidão de Batismo de Anchieta, doada pelo governo das Ilhas Canárias, onde ele nasceu, e ainda uma imagem que me foi dada por um artesão capixaba que morava perto do Santuário de Anchieta, no Espírito Santo. Então eu tinha as relíquias, tinha a certidão, a imagem, já havia a expectativa pela canonização do padre Anchieta, por isso resolvi mudar o nome da capela – explica padre Fernandes.

Anos antes de tornar-se diretor do Centro Loyola, padre Fernandes havia sido o responsável pelo projetoda capela, no espaço que antes abrigava a garagem e a lavandeira da casa. O projeto seguiu as diretrizes estabelecidas pela Instrução Geral sobre o Missal Romano, após o concílio Vaticano II: “A arquitetura também celebra, a norma da Igreja pede que o altar seja o centro, porque a Eucaristia é a comum união dos fiéis”, ressalta o padre.

Além das relíquias de São José de Anchieta, a capela guarda outros tesouros como um relicário com fragmentos de ossos de todos os santos jesuítas. O sacrário em madeira talhada foi feito no século XIX e pertencia à capela de uma antiga residência dos jesuítas que foi desativada. A peça foi doada ao Centro Loyola pelo padre Paul Schweitzer, SJ. Ainda mais antiga é cadeira em carvalho português do século XVIII, que compõe o mobiliário do altar. A peça, encontrada em uma fazenda dos jesuítas, encanta pela simplicidade e foi montada com encaixe da madeira, sem um único prego.

No jardim, do lado de fora da capela, está uma roseira na qual floresce algumas vezes ao ano a chamada “Rosa de Anchieta”. A muda veio de São Paulo e é de um tipo de rosa de floresce nas Ilhas Canárias, onde Anchieta nasceu. Acredita-se que estas rosas tenham sido trazidas para o Brasil pelo santo. Foi São José de Anchieta que introduziu o rito da benção das rosas, no colégio dos jesuítas, atual Pateo do Colégio, em São Paulo.

A Capela São José de Anchieta pode ser visitada durante a semana, em horário comercial. Todas as quartas-feiras, pela manhã, o grupo de oração inaciana Se Eu Quiser Falar com Deus se reúne das 9h às 12h, e o encontro é aberto para quem quiser participar. Atualmente, está sendo feito o processo para a inclusão oficial da capela no anuário da Arquidiocese, para que nela possam ser celebrados futuramente batizados e casamentos.

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