Maria, Mãe de Deus e Discípula de seu Próprio Filho

Em 2017, o mês de maio, dedicado à Maria, será ainda mais especial por estarmos no Ano Nacional Mariano proclamado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. No próximo dia 8, o Centro Loyola inicia o curso Maria na Espiritualidade e na Teologia: Reflexões a Partir dos 300 Anos de Aparecida, ministrado pela Teóloga Lúcia Pedrosa, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio. Serão quatro aulas nos dias 8, 15, 22 e 29 de maio, das 19h às 21h. Nesta entrevista, Lúcia Pedrosa introduz algumas questões que serão desenvolvidas nos encontros.

Como serão divididas as quatro aulas do curso?
Lúcia Pedrosa:
Teremos quatro temas principais. O primeiro deles é dedicado à contextualização do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, há 300 anos, nas águas do rio Paraíba, em Guaratinguetá. Também analisaremos o santuário de Aparecida, o significado interno dele e a estrutura dele. O segundo é sobre Maria nos quatro evangelhos, em que todos eles mostram uma mulher que é a mãe do Senhor, discípula do próprio filho e que tem muito a dizer. Nos evangelhos há tanto um dinamismo dela, que guarda as coisas no coração para ir compreendendo ao longo da vida, quanto um dinamismo exterior de ação, de visitar a prima, de falar nas bodas de Caná com os servos para que eles fizessem o que Jesus dissesse. Além disso, uma atitude ativa de estar presente ao pé da Cruz. Maria tem um dinamismo interior de crescimento e aprofundamento interno e um dinamismo exterior como uma mulher de Deus.
O terceiro encontro é dedicado ao desenvolvimento dos dogmas mariológicos ao longo da historia de 2 mil anos, em que o povo demonstrou muito carinho com a figura de Maria e assim nasceram os dogmas Marianos. No catolicismo há os dogmas da Virgem Mãe de Deus, da Imaculada e da Assunta ao Céu, como compreendê-los e como articulá-los com a intencionalidade ecumênica, tanto com o oriente cristão quanto com os protestantes. São desafios tanto à compreensão quanto ao dialogo no que diz respeito à Maria. No quarto e último, vamos trabalhar o ano mariano como um tempo de graça e a renovação da espiritualidade Mariana. Os cristãos descobrem a figura de Maria por algum motivo, e o motivo principal é para viverem melhor como discípulo seguidor de Jesus.

Qual o papel da Mãe de Deus dentro do estudo teológico?
Lúcia:
Maria vai sendo pouco a pouco apropriada pela teologia e sempre vinculada a Jesus. A própria nomeação de Maria como mãe de Deus tem uma intencionalidade cristológica de afirmar a pessoa de Jesus Cristo, a sua condição e natureza humana e divina.

O que Nossa Senhora Aparecida representa para a fé no Brasil?
Lúcia:
A Aparecida se confunde com a própria identidade cultural brasileira. Ela desde o inicio catalisa a fé de um povo muito simples que encontram em Maria a voz que eles não têm, e dessa forma, proclamam os milagres de Deus na vida deles. Há na história dessa imagem um fluxo contínuo de pessoas que, a partir daquele pequeno local, vai chamando atenção do Brasil. Desde o inicio, Maria provocou um dinamismo, inicialmente um movimento local e depois regional, nacional e até internacional. Fiéis de todos os locais peregrinam na própria fé para aumentarem a esperança na vida e na capacidade de amar. Quando houve a Conferência Latino Americana de Aparecida, os bispos da América Latina ficaram muito alimentados com a fé viva demonstrada pelo povo em suas peregrinações a casa da Mãe de Deus.

É essa simplicidade que causa a identificação dos brasileiros com Aparecida?
Lúcia:
Essa simplicidade da historia coincide com a fé simples das pessoas. É o encontro de uma imagem partida, guardá-la com carinho e reunir-se em torno dessa figura. Os próprios milagres atribuídos a ela dizem respeito a coisas muito básicas, como poder enxergar, a liberdade de um escravo e a pesca milagrosa. Nossa Senhora Aparecida está relacionada a essa cotidianidade de viver. Ela assume para si a voz dos humilhados, como nos evangelhos de Lucas vemos Maria assumindo os cânticos dos pobres: “O Senhor fez em mim maravilhas, olhou para a humildade de sua serva”.

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Reportagem e Fotografia: Bárbara Tenório.

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