Curso apresentou a relação entre Teologia, Arte e Liturgia sob a forma de Ícones

O curso “As Doze Festas Litúrgicas em Ícones”, orientado pelo padre José Maria Fernandes, SJ, permitiu aos participantes desvendar um pouco mais o mistério por trás dessas artes, bem como os processos rigorosos que as permitem ser chamadas sacras. As Doze Festas Litúrgicas são consideradas, depois da Páscoa, os marcos mais importantes da vida de Jesus. Elas recordam os principais momentos da fé católica. E, por isso, são celebradas na tradição da Igreja Bizantina e Romana. Cada festa é representada por um ícone que permite a melhor assimilação do mistério celebrado e, assim, a melhor veneração.

O ícone é um tipo especial de pintura sagrada que nos remete aos primeiros séculos do cristianismo. Sua técnica une a teologia, a arte e a liturgia, caracterizando-o, portanto, como uma oração, uma página do Evangelho feita com traços e cores, que permite ver, sentir e tocar aquilo que é lido. Há muito mais por trás da arte do que a simples aparência, fato que a permite não só retratar um mistério, como também ser um mistério, ou Mysterium, aquilo que se revela continuamente, mas nunca por inteiro. Por isso, ela não pode ser feita por qualquer pessoa. O iconógrafo passa por jejum e recolhimento de uma semana, rezando em cima de uma mesma passagem bíblica. Assim, a arte nasce para transformar a linguagem do texto em um linguajar visual, universal e compreensível.

Para um leigo que vê um Ícone, a pintura pode ser muito bonita. Para outro ela pode tocar de uma forma especial. Mas quem percebe os detalhes escondidos na arte muda a concepção dela e amadurece o conhecimento religioso. Dessa forma, o indivíduo passa a admirar a beleza e a riqueza da arte sagrada na sua integridade, indo ao encontro profundo com o Criador.

No curso, os participantes perceberam que contemplar um ícone é mais do que simplesmente apreciá-lo. É ler nas entrelinhas das pinturas o significado de cada festa e ser transportado para o momento retratado. É descobrir, no objeto visível, o invisível de Deus e, assim, relacionar Jesus – a imagem de Deus para o povo – aos ícones das Doze Festas Litúrgicas – a imagem da imagem -, como em João 14, 9: “Quem vê a mim, vê ao Pai”. A boa leitura da arte sacra te tira de um lugar bidimensional e se desdobra em um tridimensional. Há, para isso, um processo de criação tão denso como o objeto final.

Os ícones, entretanto, nem sempre tiveram espaço garantido na Igreja. Houve um período em que eles eram proibidos de ser escritos e venerados. Questionava-se: posso ou não representar Deus – que é perfeito por natureza – com materiais impuros? Dessa pergunta surge a teologia, a ciência da religião, resultado de três concílios em que a iconografia foi discutida.

Ao fim do curso, os participantes puderam entender que o ícone tem uma preocupação teológica maior do que a estética, e que a arte, de forma recíproca, alimenta o conteúdo da teologia e por ela é alimentada. Somente compreendendo o processo da criação e alfabetizados na linguagem artística podemos verdadeiramente admirar o ícone em todas as dimensões.

Repórter: Beatriz Vilardo

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