A busca da verdade e da justiça na mística de Santa Catarina de Sena

“A revelação de Deus não supõe um conhecimento intelectual.” Com essa frase a teóloga Lina Boff, Professora Emérita da PUC-Rio, introduziu a história de Catarina de Sena, a primeira doutora da Igreja a ser estudada no projeto Elas Muito Amaram deste ano. O encontro no dia 25 de maio de 2017, no Centro Loyola, reuniu 30 pessoas em roda para ouvir sobre a vida da santa.

Catarina de Sena nasceu e atuou em Siena, na Itália, durante a Idade Média e sobreviveu à Peste Negra. Ela recebeu o chamado à espiritualidade de Deus ainda quando criança e foi alfabetizada só aos 16 anos. De acordo com Irmã Lina, a santa não era formada em Teologia, não fez faculdade e nem escreveu muitos livros, mesmo assim foi convidada a emergir no mistério divino: “A vocação de Deus não exige intelectualidade, mas o saber científico e da fé ajuda no caminho da mística, da contemplação ou, simplesmente, no caminho da espiritualidade, o mais comum para todos nós”, explicou. Ela acrescentou ainda que Deus conhece quem escolhe para entrar em comunhão, e a pessoa convidada a seguir esse caminho é chamada de mística.

– Não se recebe o dom da mística porque se escolhe, mas porque ele é oferecido por Deus a quem Ele quer. É algo revelado por Deus. É necessário, portanto, saber ler os sinais divinos na vida cotidiana, pois Cristo pode estar querendo falar através de alguma pessoa, algum acontecimento ou celebração. Se você parar, pensar e tentar ler o que Deus quer através desse sinal, se tornará uma pessoa mística. E isso não se dá pelo próprio esforço, mas porque Deus te deu de presente – afirmou Lina.

O chamado de Deus à Santa Catarina de Sena se desenvolveu na medida em que ela crescia em idade, assim como Jesus crescia em graça, idade e sabedoria. Sendo a sabedoria não só o conhecimento, mas identificar os sinais divinos na vida cotidiana. Santa Catarina, diante dos conflitos familiares e dos conflitos entre religião e política na Europa Medieval, criou uma espécie de “cela interior” para superá-los.

– Uma pessoa mística vive uma força interior que a leva a agir exteriormente. Não é uma mística que a isolou do mundo, mas uma mística militante. Catarina buscou o belo, buscando a verdade. Fazendo sair da sua cela interior a verdade. A verdade vem junto com a justiça divina. O que nos eleva e faz ver o mistério na sua interioridade – completou a teóloga, ressaltando o fato de que a mística militante de Catarina de Sena envolveu todos os estratos sociais.

Reportagem e Fotografia: Bárbara Tenório.

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