Reflexão
Corpus Christi
A Solenidade de Corpus Christi nasceu no século XIII, fruto das visões de Santa Juliana de Mont Cornillon, que clamava por uma festa específica para a Eucaristia. Instituída oficialmente pelo Papa Urbano IV em 1264, por meio da Bula Transiturus, a celebração ganhou força com o milagre de Bolsena, onde uma hóstia sangrou sobre o corporal. Desde então, a Igreja sai às ruas para proclamar que Deus caminha conosco. Para nós, equipistas, esta solenidade é muito mais do que uma tradição de tapetes coloridos; é o momento de reafirmarmos que o centro da nossa fé é uma Pessoa que se faz Alimento. No contexto atual, marcado por um “analfabetismo afetivo”, o Corpo de Cristo surge como o mastro que sustenta a barca da família.
O Papa Francisco insistia que adoração e comunhão são inseparáveis, ensinando que a Eucaristia cura porque nos une a Jesus e nos faz assimilar sua capacidade de se partir e de se dar aos irmãos. Para o casal das ENS, essa entrega deve se traduzir em hospitalidade cristã; nossa casa deve ser um prolongamento do altar, respondendo ao mundo não apenas no que cremos, mas em como amamos. Vivemos em uma sociedade de descarte que, por vezes, penetra em nossos lares, e Francisco descrevia a Eucaristia como a “memória viva” que nos salva da amnésia do coração. Ao comungar, recebemos a transfusão do amor de Deus, força necessária para vivenciarmos nossos Pontos Concretos de Esforço. O Dever de Sentar-se, por exemplo, torna-se um momento litúrgico onde o diálogo é o pão partido entre marido e mulher.
Jesus não se escondeu em algo indestrutível, mas na fragilidade do pão que se esfarela, o que fala diretamente às nossas insuficiências como casais. Muitas vezes nos sentimos “quebrados” pelas exigências da vida, mas Corpus Christi nos ensina que é justamente na nossa fragmentação que Deus opera o milagre da multiplicação. Quando entregamos o pouco que somos, Ele sacia a multidão. Por fim, o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo nos empurra para fora; não podemos partir o pão do domingo se o coração estiver fechado ao irmão. Que este Corpus Christi não termine na procissão, mas se prolongue em nossos lares. Ser uma Equipe de Nossa Senhora é ser uma comunidade eucarística que sai do cenáculo com o compromisso de alimentar o mundo com a alegria do Evangelho. Que Maria, a “Mulher Eucarística”, nos ensine a transformar nossa vida em uma constante oferta de amor.