Curso apresenta possibilidades de diálogo entre Ciência e Fé

O ser humano tem a capacidade de formar pensamento crítico e questionar-se sobre tudo o que vê e vive. Dentro dessa perspectiva intelectual e espiritual, a humanidade se divide entre a ciência e a fé com o intuito de compreender um pouco mais a realidade ao seu redor. E é justamente a possibilidade de diálogo entre essas duas dimensões o ponto de partida do curso “Ciência e fé: um encontro necessário”, que começa hoje, às 19h. O tema será apresentado e discutido por Celso Carias, doutor em Teologia pela PUC-Rio e professor do Departamento de Cultura Religiosa da mesma Universidade.

Segundo Carias, a fé em Deus e a ciência não se contradizem, pois a procura da ciência é uma, mas a justificativa de Deus é outra:

– Deus é uma escolha de sentido, de razão fundamental para a busca das respostas que o ser humano faz desde o momento em que ele existiu enquanto Homo Sapiens. O homem se indaga a fim de entender por que veio ao mundo, por qual razão e até se a vida vale a pena. Tais respostas não são exclusivas da ciência. A maior parte do tempo, a ciência nem dá essas respostas – justificou.

O curso propõe uma reflexão na qual a relação entre ciência e fé seja colocada em um nível de entendimento, sem oposição e conflito. Não há um momento onde uma termina e a outra começa, elas coexistem na realidade humana. De acordo com o teólogo, essa coexistência faz com que o diálogo entre as duas dimensões seja necessário. O Cristianismo, desde que existe, sempre dialogou com os saberes do seu tempo, entretanto, de acordo com o professor, as ciências modernas foram numa direção inesperada para religiões.

– O instrumental simbólico das religiões ainda está sustentado em símbolos que já foram superados. Então o diálogo é fundamental para que as religiões possam se apresentar e apresentar as suas propostas, sem abrir mão da sua estrutura, mas sem entrar em conflito com a ciência. No fundo as religiões sempre fizeram isso – destacou Carias.

Todavia, para ele, há uma resistência das pessoas quanto a essa conciliação e isso se deve a tendência teocêntrica na qual a cultura ocidental foi sendo estabelecida, onde o centro de tudo estava em torno da realidade de Deus. A ciência então surge no sentido de que você não precisa mais de Deus para encontrar a explicação da vida. Diante disso, as pessoas resistiram, pois queriam justificativa para Deus em tudo o que faziam. “Como hoje podemos prescindir disso, criamos certa distância, passamos a ver a ciência como um perigo, um perigo que não é necessário, mas as pessoas tendem a rejeitá-la”, completou.

Ainda assim, o professor acredita que o futuro trará uma maior conciliação entre fé e ciência, pois segundo ele, não há outro caminho.

Ainda temos algumas vagas para o curso, que será realizado sempre às terças-feiras, até o dia 27 de junho, das 19h às 21h, na rua Bambina, 115. O investimento é de R$ 150. Quem quiser participar, pode inscrever-se e obter mais informações AQUI.

Reportagem: Barbara Tenório

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